Crônica: Sexta-feira

Crônica: Sexta-feira

O tempo tem a mesma duração, 1440 minutos. Dormimos, acordamos, almoçamos e jantamos. Nossas contas têm que ser pagas. O carro, abastecido. Reuniões, projetos atrasados, cronogramas apertados e a mesma pressão de sempre.

Sexta-feira, do latim Sexta Feria, é o dia preferido de dez entre dez pessoas. Muitos associam esse bem-estar ao último dia de trabalho da semana (para alguns trabalhadores). Outros, às evocações religiosas, principalmente das raízes do Islamismo, que consideram esse dia, sagrado.

Tudo que é dito de bem sobre a sexta-feira, é dito de mal da segunda-feira. Em analogia, Secunda Feria (latim) é o primeiro dia de trabalho da semana. Para os pagãos, um dia dedicado à lua. Para o clero católico, é o dia para rezar aos mortos. Como se já não bastasse toda a carga negativa que esse dia já tem, a morte faz o complemento de que é senso comum odiar a segunda-feira (até mesmo nos desenhos, como Garfield).

Sabendo disso tudo, devemos mesmo adorar a sexta e odiar a segunda? Pensemos em algumas premissas orientadas pela sabedoria de Murphy: tudo dá errado no final da sexta-feira; é o dia que acontecem as piores reuniões; o trânsito está caótico; os bares, cheios; os cinemas são mais caros e quase sem vagas; estacionamentos lotados; e muito mais.

Já a segunda-feira, é tudo o contrário. É um dia bom para fazer compras, os descontos surgem, os atendentes estão mais sorridentes pelo fato de venderem mais no fim de semana passado e várias outras citações.

Se seguirmos a ciência, utilizaremos o conhecimento de Einstein em seu trabalho sobre a Relatividade Geral, onde é afirmado que tudo é relativo. Ou seja, uma bela segunda-feira depende de nós. Uma péssima sexta-feira, também.

Mas, para ter os dois dias perfeitos e simétricos, precisamos isolar um fator que passa meio despercebido: perspectiva. As pessoas positivas concordariam. As negativas, também. O problema está na dimensão da perspectiva. Se muita, podemos nos frustrar com os resultados. Se pouca, nos surpreendemos (depois de termos sidos taxados de pessimistas, é claro).

E como resolver esse impasse? Simples: feche esse arquivo (que lhe tomou uns bons cinco minutos de leitura), espreguice sobre a cadeira, olhe para o lado e deseje que o fim de semana termine rapidamente, para que você acorde bem cedo na segunda-feira e volte ao trabalho, para continuar com seu belo serviço.

É exatamente isso mesmo: querer com toda vontade que o fim de semana passe bem rápido e a segunda-feira chegue logo.

E quanto mais você desejar isso, sem hipocrisias e ironias, melhores serão os resultados. Não pense que estou louco. Ou você se esquece de que, quanto mais desejamos que uma data chegue, mas lentamente ela chegará? Queira muito a segunda-feira e ela parecerá que não chega mais. Distanciar-se-á de nós como Plutão fez. Estará tímida, escondida dos olhares céticos e críticos.

E, até lá, viva a Relatividade.

Roberley Antonio

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