Crônica: Papéis Sociais

Crônica: Papéis Sociais

O dia começa tão rapidamente quanto terminou. Tomamos nosso café, realizamos nossas obrigações, sorrimos, brigamos, somos indiferentes e, ao cair a noite, convivemos com o que restou desses vários tipos de emoções passadas entre um período e outro.

A última coisa que passa por nossa cabeça é quantos papéis sociais eu representei durante esse tempo. Nos igualamos aos melhores atores do mundo e nem sequer temos a noção de que nem sempre foi assim. As nossas máscaras foram sendo moldadas de geração por geração, até chegar na especialidade de ser de cada um de nós.

Entre alguns desses papéis sociais, somos pais, mães, filhos, donas de casa, trabalhadores rurais, analistas, gerentes, médicos ou criminosos. Somos aquela pessoa simpática que nos cumprimenta com um sorriso maroto no rosto e também somos aquele que nem olha em nossa cara quando falamos um bom dia. E somos bons no que fazemos. Mas, a melhor notícia é que podemos ser melhores ainda (ou piores, depende do referencial).

É importante representar papéis. Ser aquele ouvinte atencioso, confiável, prestativo e tolerante. Ou uma pessoa insensível, relapsa e estressada. Não importa o que você escolher, sempre estará representando. E se representar não seja o seu forte, prepare-se para um longo e sinuoso caminho, cheio de conflitos internos e externos. O mundo exige isso. Começou com seus pais e não será limitado por seus filhos.

Infelizmente, a nossa representação da realidade, por melhor que seja, não se compara à própria realidade. Sempre é menos. O nosso eu interno não é visível por completo nem para nós mesmos, como diz (ia) os grandes psicólogos. Aproximamos dele. Chegamos bem perto. Mas, não o tocamos.

Felizmente, se a representação da realidade é sempre mais, podemos, então, ser mais egoístas ou mais tolerantes. É uma questão de escolha. Nas sociedades complexas como a nossa podemos escolher o que queremos ser, quando ser e onde ser. Se seu pai foi um pedreiro, você poderá ser um pianista, se quiser. Quem decide é você mesmo. E quem aprova é o mundo. O sucesso vem do equilíbrio disso.

E se fosse tão simples assim, o dinheiro compraria a felicidade. E, para muitos, compra. Ou, pelo menos, a representação dessa realidade feliz. Seu papel social é ser aquela pessoa tranquila, linda e confiante. Eu não invejo isso. Ou, pelo menos, não deveria invejar.

E se invejo, cumpro o meu papel social: ser um brasileiro, com título de eleitor e CPF, com alguns cheques sem fundos, amores impossíveis, e que acha que os dias serão melhores. Sim, melhores para muitos, mas, não para todos nós.

Roberley Antonio

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